O que vimos nas ruas da Europa que está mudando os sapatos masculinos
Em abril de 2026, embarcamos para uma jornada por Milão, Civitanova, Amsterdam, Düsseldorf e Londres com um objetivo que faz parte do DNA da CNS há muitos anos: observar.
Observar o que está acontecendo nas ruas. Observar vitrines. Observar produtos. Observar comportamento.
Mais do que identificar tendências, queríamos entender como os homens estão se vestindo, consumindo e se relacionando com a moda atualmente.
Ao longo de dezenas de quilômetros percorridos, centenas de vitrines visitadas e inúmeras conversas com profissionais do setor, algumas conclusões começaram a surgir de forma natural.
Curiosamente, elas não apontam para uma moda mais extravagante ou chamativa.
Apontam para uma moda masculina mais confortável, mais autêntica e mais conectada ao estilo de vida real.

Vitrine da Loja Car Shoe em Milão, especializada em Drivers
Principais insights da viagem
- A camurça dominou vitrines e coleções.
- Formas mais quadradas apareceram em diferentes categorias de produto.
- O conforto se tornou prioridade absoluta.
- Couros extremamente macios ganharam espaço.
- Produtos discretos parecem substituir excessos visuais.
- O casual sofisticado continua avançando.
O que vimos em Milão
Milão continua sendo uma das grandes referências mundiais quando o assunto é elegância masculina.
Mas algo chamou nossa atenção.
As vitrines e exposições internas das lojas estavam menos preocupadas em impressionar e mais focadas em transmitir qualidade.
Menos excessos. Menos elementos decorativos.
Mais materiais, textura e construção.
O produto parecia assumir novamente o papel principal.
Em Milão, materiais e construção pareciam falar mais alto do que elementos chamativos.

Em Milão, materiais e valorização do artesanal sempre tiveram muito destaque e apareceu mais esse ano.
O que vimos em Civitanova
Se Milão representa a vitrine da moda italiana, Civitanova ajuda a explicar como parte dessa moda nasce.
Localizada na região de Marche, no interior da Itália, a cidade e seus arredores concentram dezenas de fábricas e marcas especializadas em calçados.
Diferentemente das grandes capitais da moda, o que encontramos ali não foi necessariamente espetáculo.
Encontramos conhecimento. Encontramos tradição. Encontramos desenvolvimento de produto.
Foi interessante perceber como muitas empresas menores, desconhecidas do grande público, apresentavam um nível impressionante de design, acabamento e construção.
Em diversos casos, observamos produtos com forte identidade própria, sem depender de grandes logotipos ou estratégias agressivas de marketing.
O produto era o protagonista.
Talvez uma das maiores lições de Civitanova tenha sido justamente essa.
Grandes produtos nem sempre nascem em grandes centros.
Muitas vezes eles surgem em regiões onde o conhecimento técnico foi construído ao longo de gerações.

Na região de Marche, tradição, design e desenvolvimento de produto caminham lado a lado. Uma observação, nas lojas de fábrica o pessoal é super rigoroso com fotos no interior da loja, por isso não conseguimos fotografar muitos modelos para mostrar.
O que vimos em Amsterdã
Entre as cidades visitadas, Amsterdã talvez tenha sido a maior surpresa.
Foi nossa primeira visita à cidade e uma oportunidade de buscar referências fora dos circuitos mais tradicionais da moda masculina.
O que encontramos foi um ambiente criativo, contemporâneo e extremamente conectado ao cotidiano das pessoas.
Ao contrário de cidades onde a moda ainda pode ser vista como símbolo de status, em Amsterdã ela parece estar muito mais ligada à funcionalidade.
As pessoas se deslocam de bicicleta. Caminham bastante. Transitarem entre diferentes ambientes ao longo do dia faz parte da rotina.
Isso se reflete diretamente nos produtos.
Observamos uma forte valorização de peças versáteis, materiais confortáveis e construções práticas.
Existe uma preocupação evidente em unir design e funcionalidade.
Nenhum desses atributos parece ser negociável.

À esquerda, arquitetura local e à direita, fábrica da Heineken, onde realizamos uma visita guiada e aprendemos muito como uma marca pode contar sua história e de seu produto.
O que vimos em Düsseldorf
Düsseldorf apresentou algo que se repetiu em todas as cidades visitadas.
O conforto deixou de ser um diferencial.
Ele passou a ser uma obrigação.
Independentemente da categoria de produto, encontramos uma preocupação evidente com ergonomia, leveza e flexibilidade.
Düsseldorf deixa muito claro o que é funcional e o que é moda passageira. O que você vê no pés do homens, já são tendências consolidadas e validadas.

Em Düsseldorf, fica nítido a atenção na performance dos solados e dos materiais do cabedal.
O que vimos em Londres
Londres continua sendo uma das cidades mais interessantes da Europa para observar moda masculina.
Ao contrário de outros mercados que parecem seguir tendências de forma mais acelerada, a capital inglesa mantém uma forte conexão com sua herança de alfaiataria, mas sem ficar presa ao passado.
Foi justamente esse equilíbrio que mais chamou nossa atenção.
Em diferentes bairros da cidade, observamos homens que transitam com naturalidade entre o clássico e o contemporâneo. A alfaiataria continua presente, mas aparece de forma mais relaxada. Os códigos tradicionais permanecem vivos, porém reinterpretados para uma rotina mais dinâmica.
O resultado é um estilo que transmite elegância sem parecer excessivamente formal.
Nas vitrines, essa mesma lógica também estava presente.
Encontramos produtos com construção clássica, mas adaptados às necessidades do homem moderno. Couros mais macios, formas mais contemporâneas e uma preocupação evidente com conforto e versatilidade.
Outro aspecto interessante foi a forte presença de tons neutros e terrosos. Marinho, bege, oliva, tabaco e diferentes variações de marrom apareciam com frequência tanto em roupas quanto em calçados.
A sensação era de uma moda masculina mais madura, menos orientada por tendências passageiras e mais focada em peças que permanecem relevantes por vários anos.

O clássico continua presente, mas em versões mais leves e adaptadas ao estilo de vida atual.
As grandes tendências que observamos ao longo de toda a viagem
Depois de visitar diferentes cidades, mais de 65 lojas e marcas, alguns padrões começaram a surgir repetidamente.
Independentemente do país.
Independentemente do posicionamento da marca.
Independentemente da faixa de preço.
1. A camurça dominou as coleções
Se existiu um material presente em praticamente todos os lugares que visitamos, foi a camurça.
Ela apareceu em loafers.
Botas.
Tênis.
Mocassins.
Modelos clássicos e contemporâneos.
Mas sua força não está apenas na estética.
A camurça oferece algo que parece resumir muito bem o momento atual da moda masculina: sofisticação sem formalidade, principalmente nos modelos que vimos em camurça de cabra.
Também observamos uma forte presença de tons naturais como areia, tabaco, oliva, café e chocolate.
A moda masculina parece cada vez mais próxima de materiais e cores que remetem à natureza.
2. Formas mais quadradas ganharam espaço
Outro movimento observado em diferentes países foi a evolução das formas.
Os bicos extremamente alongados perderam espaço.
Os excessivamente arredondados também.
O que encontramos foi uma busca por equilíbrio.
Formas mais quadradas. Mais sólidas. Mais contemporâneas.
Essa mudança apareceu principalmente em loafers, derbies e botas.
É uma evolução silenciosa, mas muito consistente.
3. O conforto se tornou obrigatório
Se tivéssemos que escolher apenas uma palavra para resumir toda a viagem, provavelmente seria conforto.
Couros mais macios. Estruturas mais leves.
Solados mais flexíveis. Construções menos rígidas.
O conforto deixou de ser diferencial.
Ele passou a ser expectativa.
4. Menos ostentação, mais qualidade percebida
Outra observação importante foi a valorização dos detalhes.
Menos logos.
Menos excessos.
Mais foco em materiais.
Mais foco em acabamento.
Mais foco em construção.
A qualidade parece estar migrando da comunicação para a percepção.
O que isso significa para o futuro
Ao final da viagem, uma conclusão ficou clara.
A moda masculina não está caminhando para o exagero.
Ela está caminhando para o equilíbrio.
Os produtos estão mais confortáveis.
Mais versáteis. Mais naturais. Mais bem construídos.
A nova elegância masculina parece menos preocupada em chamar atenção e mais interessada em acompanhar a vida real.
Sobre esta pesquisa
Todo ano o time de Produtos da CNS viaja entre abril e maio para a Europa. Esse ano de 2026, nós visitamos Milão, Civitanova, Amsterdã, Düsseldorf e Londres para observar tendências de moda masculina, comportamento de consumo, visual merchandising e desenvolvimento de produtos.


